8.29.2016

Namorado ou amigo?

Quem nunca sentiu um friozinho na barriga ao ver aquela pessoa? Mas, e se aquela pessoa for aquele amigo querido? Quanta confusão! Será possível se apaixonar por um amigo? Conseguimos continuar sendo apenas amiga dele? Essa é uma situação bem complexa, mas nós vamos refletir um pouco sobre o que significa.

Atire a primeira pedra quem nunca passou por uma situação dessas(ainda bem que pedras virtuais não causam dor física). Se um dia você se pegou pensando muito em um amigo. Se sentiu ciúmes quando ele veio falar daquela garota. Ou se a vontade de vê-lo tornou-se quase insuportável. Talvez, você tenha questionado sua sanidade emocional ou tenha querido se punir por achar que estava se apaixonando por seu grande amigo.
Quando coisas assim acontecem, parece que nossa base, aquela que nos sustenta em nossas convicções, fica um pouco abalada. E conseguir colocá-la de novo em seu eixo parece bem complicado mesmo. Ao ler um livro muito interessante que falava em como a Ciência explica a paixão, pude perceber o quanto disso tudo não depende, em nada, de nós. Um dos sintomas mais comuns da paixão é pensar na pessoa. Do nada, você se pega pensando. Está estudando e pensa. Está assistindo a um filme e pensa. Está fazendo compras no supermercado e pensa. Está fazendo uma prova! E pensa. E, naquela hora, antes de dormir, ali no aconchego do seu travesseiro, você pensa. Pensa no sorriso da pessoa. Pensa no seu jeito desengonçado. Pensa em quando fica charmoso ao ficar nervoso ou bravo. Pensa na maneira pragmática de ver a vida. Pensa em como tudo se torna tão simples e verdadeiro ao seu lado.
E, de repente, você se lembra de que ele é seu um amigo. E um sentimento de culpa ocupa o seu coração. Como se pensar nele sentindo tudo aquilo tão mágico fosse quase um pecado. Como se a amizade de vocês fosse tão sagrada que a macular com o que quer que seja fosse algo terrível. E você se contém e oferece seu ombro mais uma vez para que ele recoste sua cabeça. Você tem medo de perder sua companhia. Você nem consegue imaginar sua vida sem ele. E, mesmo que não seja possível tê-lo como namorado, você é feliz por tê-lo como amigo.
É uma luta silenciosa, solitária, injusta demais. E não sei se convém vivê-la. O que mais pesa é saber que, se você conseguir revelar o que sente, talvez até a amizade acabe de vez. E isso não é o que você deseja. Ao menos tê-lo ao seu lado já é muito bom. Mas, o que fazer com todo aquele sentimento? Como esconder o brilho do olhar quando você olha para ele? Como conter a vontade de abraçá-lo e beijá-lo em qualquer lugar que estejam? Não é tarefa fácil.
No livro que li, a autora dizia que, quando apaixonados, pensamos 80% do nosso tempo na pessoa. Mas, você sabe o porquê? Por que pensar na pessoa faz nosso cérebro produzir hormônios responsáveis pela sensação de bem estar, de prazer. Por isso é tão bom pensar, “viajar” mesmo, inventando situações ao lado dele. Mas, como tudo isso pode começar a acontecer? Bem, segundo o livro, nosso cérebro é o responsável. É como se intuitivamente, nós percebêssemos que aquela pessoa tem genes que, combinados aos nossos, promoveriam uma mistura perfeita. E aí o instinto de preservação da espécie fala e aperta o botão(para alguns, como a picada da flecha do cupido da mitologia grega) e já era....você está apaixonado.
Em muitos momentos na vida, vamos nos deparar com situações nas quais precisamos tomar decisões que vão mudar tudo. Essa é um tipo de situação assim. Não tenho, aqui, a resposta pronta para dar àqueles que estejam passando por um momento tão delicado como esse. Mas, conclui que não é saudável viver algo que, na verdade, não esteja lhe fazendo bem de verdade. Se o medo de perder o amigo é o que impede você de falar, confessar, abrir-se, saiba que, para o seu coração, ele não é mais apenas só amigo. Ir contra o próprio sentimento pode ser uma cruz muito pesada a ser levada. A decisão é sua. O tempo não volta atrás, como tantos gostam de falar. A oportunidade é você quem deve criar, também. Talvez, expressar o que sente de verdade, fará você resgatar ao menos a paz. E fará você saber se existe alguma recíproca por parte do seu amigo. Se ele for, realmente, sincero, saberá o que dizer, como agir. Se for para se afastar, o fará. Se for para ficar do seu lado, como namorado, o fará também. Não se puna por algo que sente. É o que fazemos com nossos sentimentos que importa.
Quando percebemos que nosso ser é, na realidade, tão complexo ao ponto de muitas coisas não dependerem de nós mesmos, chegamos à conclusão de que o que importa, realmente, é a vida em si. Respirar só não basta. É preciso sentir, viver, tomar decisões, sofrer as consequências, chorar, sorrir, seguir em frente. Um dia, nesse tipo de situação, nós conseguimos convencer nosso cérebro de que não dá. Ou ele mesmo se convence. Por que a vida continua. E há milhares de genes, milhares de combinações possíveis por aí. Basta ter um olhar mais atento e se permitir viver mais uma vez, apaixonar-se mais uma vez, dando chance para que isso aconteça. De repente, nós nos surpreendemos e começamos a sorrir novamente. Muitos sorrisos para você.

Fer Perl©

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