8.29.2016

Silêncio é uma linha tênue entre a prudência e a covardia

Silêncios se bastam. Mas, às vezes, são apenas tentativas de se fugir. Podem fazer estragos. Mas, podem responder àquilo que as palavras não conseguem por si.



Há dentro de nós um silêncio que nos acompanha. No nosso mundo de água, onde fomos gerados, vivíamos em silêncio por um bom tempo. Basta estarmos sozinhos em algum lugar, sem celular, computador, ou alguém conhecido. É quando nos voltamos para nós mesmos. Refletindo sobre aquela reportagem que vimos, ou sobre aquela conversa que tivemos com alguém. O silêncio é uma espécie de “desintoxicação” e como é raro ultimamente. Vivemos preenchendo nossos silêncios. Parece que temos algum tipo de receio em silenciar, talvez por que tenhamos receio de nos ouvir a nós mesmos.
Imagino o silêncio lá de fora, onde os astronautas se veem diante do universo e contemplam o Cosmo. Imagino, também, o silêncio do fundo do mar, outro mundo dentro do nosso mundo. Há o silêncio dos mosteiros. As flores que desabrocham sem fazer barulho. Ou o sol que nasce e se põe em silêncio. Há o silêncio dos lugares não habitados, como o silêncio da neve, ou de algum pier construído em um lugar distante da civilização. Há o silêncio da montanha.
Mas, ao contrário do que se pensa, silêncio nem sempre quer dizer paz. Ele está por trás de nós, está dentro de nós, na nossa personalidade e jeito de ser. O silêncio da prudência nos faz refletir um pouco mais. Buscar caminhos alternativos. Procurar palavras certas. Na omissão, o silêncio nos faz ser indiferentes. Desviar o olhar. Não nos comprometermos. E há entre eles uma linha muito tênue que, muitas vezes, nos confunde.
Um amigo verdadeiro é prudente, não é omisso. Um cidadão verdadeiro também. Ficar aguardando a resposta de alguém causa ansiedade e, quando a resposta não chega, causa frustração. Por outro lado, muitas vezes, o silêncio é a própria resposta do que não se sabe falar. Do que não se tem explicação. Do que é possível apenas contemplar ou sentir. Naqueles momentos em que as palavras não alcançam o significado que gostaríamos de dar. Especialmente a um sentimento novo.
Silêncio dói. Mas, quando é prudente, é a melhor palavra que se possa dar a alguém. Refletir nos faz pessoas melhores, quando nos desarmamos e permitimos que haja silêncio em nós. Eu me atrevo a dizer que Deus habita, também, o nosso silêncio. Que Ele nos ouve e entende mesmo aquilo que não conseguimos traduzir em palavras. É um diálogo sagrado entre nós e quem nos mais conhece. Só Ele nos traduz, pois foi Ele quem inventou nossas engrenagens. Faça silêncio, ao menos uma vez. E perceba o bem que lhe faz. Que nossos silêncios sejam férteis. Amém.
Fer Perl©

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