8.29.2016

Sobre amizades e nós mesmos

Amigo acompanha nossas mudanças. Ele mesmo muda e temos de acompanhar suas mudanças, também. Há quem não consiga. Há quem viva a amizade por conveniência e só.



Não, não existem fórmulas as quais possamos utilizar para prever se uma amizade vai durar, ou o quanto ela irá durar. Vivemos em um processo de transformação constante. Há de se pensar que somos, realmente, uma eterna metamorfose. Por que vamos acumulando conceitos, fazendo referências, criando esquemas, associando soluções. Enfim, nossas experiências de vida vão nos transformando em quem somos exatamente agora. Muito disso depende de nós. Mas, muita coisa é involuntária.
Ter a sensibilidade, na medida certa, para detectar no outro esses malabarismos do caráter diante das situações(e saber lidar com isso) é o que faz de uma pessoa um amigo verdadeiro. Talvez, para isso, a convivência seja algo essencial. Apesar de algumas amizades se manterem à distância, cruzarem o tempo e o espaço intactas, essas podem ser consideradas puras exceções.
Quando se perde a convivência com alguém, deixa-se de acompanhar o nexo que a conduz na vida. Seus pensamentos que mudaram. As decisões erradas que a fizeram pagar pelas consequências. Os acertos que a fizeram ser uma pessoa mais confiante ou, em alguns casos, infelizmente, “convencida”. As dores que a levaram a limites dos quais só ela tem noção. Os momentos de solidão. Os momentos maravilhosos de descobertas. Os de contentamento e de dúvidas.
Ah, como são especias as pessoas que conseguem ultrapassar esses limites e continuam amando o amigo com todas as suas mudanças. Mas, há aqueles que exigem, mesmo que inconscientemente, que o outro volte a ser quem era. É como se o importante fosse a imagem que ele\ela representasse para si não quem ele\ela é realmente. E isso é impossível. Depois de transformados, alguns materiais não podem voltar a sua conformação inicial. Com a maturidade é assim. O ser humano, depois de amadurecer, não pode voltar à “inocência” incoerente, às vezes, infantil. A vida é assim.
Projetamos no outro nossas expectativas. Enquanto o outro responde a essas expectativas, nós o temos como amigos do peito? Se, de alguma forma, o outro deixa de responder, trava-se um conflito interior na pessoa que percebe isso. Ela tem de decidir se continuará amando o outro diferente, ou desistirá de sua amizade. Conveniência. Das cinzas de alguém que sobrevive a muitos tipos de conflito surge o novo eu desse mesmo alguém. Conseguir enxergá-lo com suas diferenças é um risco que só quem ama é capaz de correr.
Quanto à pessoa que mudou. Bem, como deve ser difícil ver voando pelo ar aqueles que antes eram seu alicerce por assim dizer. Amor. Essa é a palavra certa para resumir aquele sentimento de compaixão, acolhida, carinho e querer bem que se tem por alguém que significa ser amigo.
Desejar ao outro o seu Infinito Bem. Desejar sua felicidade e seu sucesso. Desejar que se descubra e vença suas limitações. Isso é amor em forma de amizade. Se você tem isso, cuide. Amizade verdadeira é coisa rara, hoje em dia.
Fer Perl©

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